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Gilson Luis da Cunha

Chega de reciclagem!

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 07012018)
07/01/2018 07:30

Gilson Luis da Cunha - Blog Diário de Bordo de um nerd no planeta terra

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

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A recente polêmica em relação ao Episódio VIII de Star Wars, Os Últimos Jedi, reacendeu a discussão sobre os limites da reciclagem de ideias em Hollywood. O filme, ainda mais que o episódio anterior, tem sido acusado de reciclar argumentos e, até mesmo, cenas dos filmes da trilogia clássica, de modo mais descarado que seu antecessor, O Despertar da Força.

Isaac Asimov, que teria completado 98 anos no último dia 2, costumava dizer que todas as histórias foram contadas em torno de fogueiras, muito antes do início da civilização. O resto seria apenas reciclagem de temas e personagens, mudando um detalhe aqui, outro ali, mas mantendo a ideia central. A questão a ser definida é: qual seria o limite para tal reciclagem.

Outro dia, numa maratona de A Quinta Dimensão (The Outer Limits), a clássica antologia de ficção científica televisiva dos anos 60, fui me dando conta de que uma série de narrativas que consideramos ícones do século 20, tais como Watchmen, tiveram seus conceitos originalmente apresentados nessa série de TV.

É bastante improvável que o genial Alan Moore não tenha assistido Os Arquitetos do Terror, episódio da primeira temporada de A Quinta Dimensão. Esse episódio apresenta um grupo de cientistas que, na iminência de uma guerra nuclear, resolve criar uma farsa capaz de unir a humanidade e garantir a paz: alterar cirúrgica e bioquimicamente um deles, escolhido por sorteio, para fazê-lo se passar por um alienígena hostil. Qualquer semelhança com o plano de Adrian Veidt na HQ de Alan Moore, não é mera coincidência.

Avata e Call me Joe James Cameron também não pode ser considerado o mais original diretor e roteirista em atividade: Avatar tem, pelo menos, 20 obras diferentes nas quais teria se baseado, entre elas, destaque para Call me Joe, de Poul Anderson, onde um paraplégico consegue se conectar telepaticamente a um corpo criado artificialmente para explorar a selvagem superfície de Júpiter.

Cameron é considerado reincidente: O Exterminador do Futuro, seu clássico moderno, bebeu livremente de Soldier, episódio de A Quinta Dimensão escrito por Harlan Ellison. No episódio, dois soldados de uma guerra do futuro são trazidos de volta ao século 20, onde continuam sua guerra particular, com terríveis consequências para aqueles que atravessam seu caminho.

O Exterminador... também guarda semelhanças com outro episódio clássico da série: O Demônio da Mão de Vidro, também escrito por Ellison. A estética e o conceito de episódio se aproximam bastante da trama de Cameron. Ellison não deixou barato, processou Cameron até que o mesmo concordasse em colocar uma pequena nota nos créditos do filme: "Agradecimento aos trabalhos de Harlan Ellison".

"Eu teria aceito de graça, se ele tivesse me pedido", disse Ellison, sobre o uso de seus conceitos pelo diretor de Avatar e Titanic. Sempre que vejo alguém ser saudado como "o mais original" qualquer coisa, dou risada. Podemos mudar a roupagem das histórias. Mas suas essências continuam as mesmas. E isso nos leva à inevitável questão: há tantos livros incríveis com histórias sensacionais esperando para serem filmadas. Por que isso não acontece?

Sou particularmente fã de A Oeste do Eden, de Harry Harrison, sobre uma Terra paralela onde o asteroide que dizimou os dinossauros jamais se chocou com nosso mundo e o resultado é um velho mundo dominado por répteis inteligentes e as américas se tornando o lar dos mamíferos, o que inclui uma espécie humana acuada por todos os lados. Ei, Peter Jackson. Dê uma folheada nesse livro. Não custa sonhar... Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


Correio de Gravataí
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