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Para adolescentes dos abrigos

Gravataí vai ter programa de apadrinhamento

Parceria entre Ong e o Judiciário vai permitir que famílias tenham contato com jovens que estão nos abrigos
07/12/2017 09:16 07/12/2017 09:16


Diléa Fronza/GES-Especial
Juíza Luciana (direita) e voluntários da Elo apresentaram o projeto de apadrinhamento
A partir do próximo ano, os adolescentes que vivem nos abrigos do município poderão ter padrinhos. Foi lançada oficialmente ontem pela manhã, uma parceria entre o Poder Judiciário de Gravataí e a Ong Elo, uma organização de apoio à adoção. O Apadrinhamento Gravataí é um programa que vai ser coordenado pela Vara da Infância e Juventude e receberá o aporte técnico da Elo.

O apadrinhamento afetivo não é uma adoção. “É uma oportunidade das crianças e adolescentes que vivem em abrigo viverem a experiência da convivência familiar. Não é ser adotado ou ir morar com o padrinho após fazer 18 anos. É ter uma referência. O padrinho afetivo tem o mesmo papel de um padrinho de batismo. Estar presente, acompanhar em atividades da escola, por exemplo, ser alguém na vida destes jovens”, explica Peterson Rodrigues, presidente da Elo.

De acordo com a juíza Luciana Tegiacchi, titular da Vara da Infância e da Juventude, a ideia é poder proporcionar, principalmente aos adolescentes que não foram destituídos das famílias e por isso não podem ser adotados, a oportunidade de ter um convívio familiar.

Como ser um padrinho

A partir do próximo ano, pessoas que se interessam em ser um padrinho poderão conviver com os afilhados. Mas antes disso acontecer, todos os candidatos passarão por um processo de seleção até chegar ao encontro do menor. O primeiro passo é se inscrever no Apadrinha Gravataí. As inscrições, que devem começar nas próximas semanas, serão feitas através do e-mail apadrinhagravatai@gmail.com. “A partir do envio deste pedido de inscrição, a equipe responsável irá enviar uma ficha que deverá ser preenchida com a apresentação de uma documentação já estabelecida. O segundo passo são as entrevistas, que são individuais. Ali os profissionais passarão a conhecer o perfil dos padrinhos e também irão analisar se eles estão aptos para ocuparem esta função”, explica Tássita Medina, psicóloga da Elo.

Depois disso, os padrinhos participarão de cinco oficinas, cada uma com um tema, em que irão saber melhor o que é um padrinho, como é conviver com uma criança que tem um histórico dentro de um abrigo. Por fim, quem escolhe os padrinhos são os afilhados. Os candidatos fazem um vídeo que é mostrado aos adolescentes. Eles podem escolher quem querem de padrinho. Só depois de todo o processo é que acontece o contato inicial. “É importante salientar que o padrinho não entra no abrigo. Todas as regras serão explicadas ao longo do processo. Há um cuidado imenso para a proteção desta criança e jovem. A experiência do apadrinhamento é muito boa e traz resultados excelentes para a vida dos abrigados. Estamos muito contentes que Gravataí vá fazer parte “, garante Peterson.

Trabalho sério

Os padrinhos assinam um termo de responsabilidade. “Só depois da aproximação, de conhecer a criança e perceber que é capaz o padrinho irá sair com a criança da casa”, acrescenta Tássita. A juíza Luciana explica que as crianças que vão participar do programa de apadrinhamento não estão no Cadastro Nacional de Adoção. “Estamos priorizando os adolescentes, para que eles tenham a oportunidade de ter este convívio. Também é preciso lembrar que padrinho afetivo é diferente de padrinho provedor. O afetivo não está proibido de dar um presente, mas o provedor é outro programa que também vamos adotar, para oportunizar que pessoas que não conseguem fazer o convívio, mas queiram fazer algo por estes jovens, tenham a oportunidade dar um auxílio financeiro”, explica.

Quem quiser saber mais sobre o apadrinhamento, pode procurar o Fórum de Gravataí e a página no Facebook Apadrinhamento Gravataí.

Um padrinho que virou pai


Diléa Fronza/Arquivo Pessoal
Peterson e Lucas, de padrinho a pai
Foi através do apadrinhamento que Peterson viu a sua vida mudar. Vendedor, ele tinha vontade de realizar um trabalho voluntário. Foi então que o morador de Gravataí descobriu um programa de apadrinhamento afetivo promovido por uma organização ong.

Em maio de 2013, ele começou a frequentar as oficinas do Instituto Amigos de Lucas, em Porto Alegre. Ali, fez as oficinas e conheceu o processo de apadrinhamento das crianças consideradas inadotáveis por serem maiores de cinco anos ou portarem doenças graves. Cumpridos todos os processos legais, ele conheceu o Lucas, em agosto daquele ano. “Ele tinha dois balões. Me deu um, disse ‘tio, segura pra mim’ e continuou correndo. Depois, ele me deu um casaco e novamente pediu para eu segurar. Na terceira vez que ele se aproximou, perguntei se ele já tinha dindo. Ele disse ‘já, é tu’”, conta.

Foram 14 meses de relação entre padrinho e afilhado. Em outubro de 2014, Peterson pediu a guarda do menino. Um ano depois, Lucas virou, no papel, o filho de Peterson. “Aconteceu. Não é o que costuma acontecer nos processos de apadrinhamento e nem se quer. Mas o Lucas acabou indo para a lista de adoção e o nosso vínculo era muito forte. Ele já era meu filho”, conta.

Solteiro e homossexual, Peterson quebrou várias barreiras.O vendedor de uma livraria em Porto Alegre foi um dos primeiros gaúchos a conseguir licença-maternidade de seis meses, assim como as mães ganham. Com a experiência, criou a Elo que hoje atua em algumas cidades gaúchas. Canoas foi a primeira a ter o programa de apadrinhamento coordenada pela Ong.


Correio de Gravataí
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