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Gilson Luis da Cunha

Kill Kirk e os P'Thaks inglórios

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 10122017)
10/12/2017 07:30

Gilson Luis da Cunha - Blog Diário de Bordo de um nerd no planeta terra

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

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Pulp-Trek

Parem as máquinas. Não. Parem o mundo que eu quero descer. Eu sei que o beiço digital emborrachado do Super-Homem em Liga da Justiça foi de lascar e que o trailer de Vingadores: Guerra Infinita, enlouqueceu o mundo, e que a compra da Fox pela Disney vai virar o universo Marvel de cabeça para baixo. Mas, na última quinta-feira, Hollywood ficou mais estranha que a ficção. Fontes da Paramount confirmaram não apenas que o estúdio ouviu atentamente uma ideia de Quentin Tarantino para um filme de Star Trek “R-rated”, ou seja, proibido para menores, mas que também estaria em negociações avançadas para que o diretor de Pulp Fiction, Bastardos Inglórios e Django Livre o dirigisse ou assumisse como produtor executivo.

Tarantino teve um encontro que durou horas com os roteiristas Mark L. Smith, autor do roteiro de O Regresso, Lindsey Beer e Drew Pearce, onde diferentes conceitos foram discutidos e o dele teria sido o vencedor. Ao que parece, tanto JJ Abrams, o homem que detém o controle criativo da franquia no cinema, e a Paramount, aceitaram a condição imposta pelo diretor de que o filme tivesse censura 17 anos. Esse cenário, tão absurdo quanto o escalafobético título do texto que você está lendo, dá margem a diversas interpretações.

A primeira é a de que a Paramount, sempre ela, já cansou de Star Trek. O mesmo vale para JJ Abram$, assim mesmo, com cifrão, que nunca gostou da franquia e sequer conhece seu universo direito. Dessa forma, essa seria a última tentativa do estúdio em lucrar com sua propriedade mais desprezada pelos engravatados, algo como forçar a galinha dos ovos de ouro ao limite. Se ela morrer, paciência. Trata-se de uma possibilidade perturbadora, mas plausível. Afinal, a Fox fez rios de dinheiro com o modesto Deadpool, filme com orçamento bem chinelão, em perfeita sintonia com o avacalhado personagem.


Star Trek: Sem Fronteiras
, apesar de ter sido bem dirigido por Justin Lin, fã confesso da série clássica, não foi lá um prodígio nas bilheterias americanas. Tarantino, imaginam JJ e a Paramount, seria o “sopro de vigor e criatividade” que a série precisa para “Voltar aos bons tempos”. Trata-se de uma aposta arriscada por dois motivos: 1-Será um dos raríssimos filmes de grande orçamento que não se limita ao PG-13 (permitido a menores de 13 anos desde que acompanhados dos pais). 2-Tarantino só dirige filmes escritos por ele, com total liberdade criativa sobre o roteiro e o corte final. Essa seria a primeira vez na carreira do diretor de Kill Bill na qual ele trabalharia com um universo que não foi concebido por ele.

Sim, como fã, também fico aterrorizado pela possibilidade de Brad Pitt sendo escalado como Kirk, Christoph Waltz como um vilão Klingon ou Harvey Keitel como um romulano. Pam Grier até daria uma boa Uhura (ou não). Imaginem um Kirk vivido por John Travolta e um Spock vivido Samuel L. Jackson, jogando pôquer andoriano num bar telarita com um bando de Klingons e romulanos durante duas horas e quarenta minutos, apenas para que tudo termine num tiroteiro de phasers ou cabeças cortadas com Bat’leths. Bizarro é eufemismo.

Mas tentemos ver a coisa pelo lado bom. Primeiro, pior do que as bizarrices que estamos vendo em Star Trek: Discovery, não ficará. Tarantino é um fã confesso da série. E fã de raiz. Ele já deu entrevistas dissertando a respeito de episódios da série clássica, como A Cidade À Beira da Eternidade ou mesmo da Nova Geração, como Yesterdays’ Enterprise. Ou vocês acham que aquela epígrafe na abertura de Kill Bill é só uma piada engraçada? Para quem não se lembra: "A vingança é um prato melhor servido cru- Provérbio klingon".

Tarantino sabe muito mais sobre Star Trek do que qualquer um na Paramount. Sempre demonstrou um amor pelos clássicos da TV e do cinema, um respeito pela história que já não se vê mais por aí. Acho pouco provável que ele assumisse uma empreitada dessas apenas para fazer pior do que JJ Abram$ e sua gangue. Além de se queimar com gerações de fãs ele estaria jogando sua reputação como expert no lixo. A questão, caso tudo dê certo e o filme saia mesmo do papel, será o quanto Tarantino vai se segurar no quesito "coolness" ou, numa tradução aproximada, "showdebolice".

Os personagens de Tarantino são famosos por gastar mais tempo preparando clima e mostrando o quanto são legais do que realmente fazendo alguma coisa. E não me levem a mal. Isso funciona quase que todo o tempo. Em Kill Bill, por exemplo, foi lindo. Já, em Bastardos Inglórios, me deu um tremendo sono. Mas é só a minha opinião. Conheço quem ame o segundo e odeie o primeiro. Sempre achei Star Trek muito mais a praia de caras como Bryan Singer (X-Men, X-Men 2), fã de raiz, que inclusive, fez uma figuração como tripulante da Enterprise-E em Primeiro Contato.

Mas vamos dar um crédito a Tarantino. Ele é um artesão competente, que leva muito a sério os mínimos detalhes, um trekker "histórico", e um realizador que sabe trabalhar personagens como ninguém. Seu próximo filme será um drama sobre o assassino Charles Manson e seus seguidores, responsáveis, entre outros crimes, pelo assassinato de Sharon Tate, então esposa de Roman Polanski. Ele pretende filmar no verão americano do ano que vem. Até lá, o roteiro desse hipotético Star Trek pode ser escrito e reescrito sem pressa. Depois, o céu, não, a galáxia, é o limite. Vida Longa e próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


Correio de Gravataí
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