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Luiz Coronel

O beijo de Gilmar

"No Brasil, e só no Brasil, o réu ou indiciado, por meio de sua corporação, permite ou nega ao juiz o poder de julgá-lo"
10/12/2017 06:21

Luiz CoronelLuiz Coronel é poeta
www.luizcoronel.com.br

Certos fatos, gestos, atitudes, momentos se consagram no tempo e no espaço por sua grandeza ou vilania. Postam-se além das variáveis interpretações, pois a nitidez é concreta e indubitável. O beijo de Gilmar Mendes na Ministra Cármen Lúcia, presidente do Superior Tribunal Federal, onde e quando seu voto de minerva concedeu alforria, ou salvo-conduto, aos parlamentares suspeitos ou sabidamente corruptos, consagra-se como um momento tisnado da história do Brasil. A presidenta do STF ainda terá oportunidades de se redimir de seu voto periclitante; Gilmar Mendes, nunca.

Há beijos que estalam na memória dos tempos. O beijo de Burt Lancaster em Deborah Kerr, deitados na praia, banhados pela maré, liberou a reprimida sensualidade do cinema americano. O beijo de Judas, símbolo da traição a Jesus Cristo, perpetuou-se como a entrega de um inocente a seus carrascos, por 30 moedas de prata. Mas o beijo de Judas não estabelecia conivência, não oficializava uma conduta criminosa, não arregimentava aliados nem libertava assaltantes. Era um beijo “carreira solo”, em que pese seu significado hediondo. O beijo de Judas dizia apenas “eis o homem”. O beijo de Gilmar proclamou a liberação de uma legião de saqueadores dos cofres públicos. No Brasil, e só no Brasil, o réu ou indiciado, por meio de sua corporação, permite ou nega ao juiz o poder de julgá-lo.

Gilmar Mendes, bem o disse José Simão, deveria posar junto aos bravos jogadores do Grêmio, pois ele é o “campeão dos libertadores”. Gilmar Mendes mandou soltar seu compadre, chefe da máfia dos transportes do Rio de Janeiro, também por três vezes. É correto dizer que a operação Lava Jato, não paira acima do bem e do mal. Porém, sem a delação premiada, o trem teria ficado na estação. Mas vamos e venhamos, não é hora para firulas jurídicas. Se permitirmos a continuação das políticas de atendimento às barganhas de 28 partidos, se não houver a punição dos culpados, se os tribunais seguirem em passos de tartaruga, estaremos condenados a um futuro trôpego e mesquinho. Deus criou a esperança numa manhã de primavera. Não podemos deixar que nossa esperança vire cinzas.


Correio de Gravataí
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