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Onda da homicídios

Delegacia terá reforços para investigações

Chefe de Polícia também solicitou incremento de ações do Denarc na cidade



Andrei Fialho/Andrei Fialho/GES-Especial
DHPP, para onde os policiais serão enviados, sofre com lotação da DPPA
Titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Gravataí, o delegado Felipe Borba, vê seu trabalho diretamente atingido pela onda de assassinatos que atinge a cidade. Segundo Borba, não é mais possível atender a crescente demanda de investigações com a mesma estrutura que a delegacia possui há anos.


Ele também aponta que a maior parte dos homicídios está relacionada à disputas do tráfico de drogas na cidade. Das sete situações que resultaram em nove execuções no último fim de semana, pelo menos três, de acordo com o delegado, teriam como motivação o acerto de contas entre facções do tráfico de drogas.


“As causas dos crimes são variáveis, mas a partir daquele vídeo em que as pessoas aparecem cavando a própria cova, foi gerado um sentimento de vingança. Tanto que a facção que assume a autoria no vídeo, também foi alvo no fim de semana”, analisa o delegado.


Borba explica que a Polícia Civil já identificou a ação de pelo menos quatro quadrilhas que disputam territórios para a venda de drogas na cidade.


Para conter o crescimento dos homicídios, o diretor da 1ª Delegacia Regional Metropolitana, delegado Volnei Fagundes, informou que a Polícia Civil tomará medidas enérgicas. “Não podemos informar ainda as ações, até por uma questão de efetividade. Mas estamos trabalhando e daremos respostas drásticas”, anunciou.


Na tarde de ontem, o chefe de Polícia, delegado Emerson Wendt anunciou que a DHPP receberá mais seis policiais para atuar nas investigações dos homicídios, atendendo a um pedido do secreário estadual de Segurança Pública, Cezar Schirmer.


Pela relação dos crimes com o tráfico Wendt comentou que já solicitou ações do Denarc. “O Denarc já tem feito prisões em Gravataí. Pedimos que incrementasse as ações e operações locais”. O chefe da Polícia Civil também anunciou que pretende vir hoje ao município para conversar com os policiais.

Brigada Militar faz operações nos bairros

Com o reforço de policiais do Batalhão de Operações Especiais, de Porto Alegre, que chegaram a Gravataí na segunda-feira, 11, e de militares de outros municípios, com a Operação Avante Regional, a assessoria de imprensa da Brigada Militar anunciou que já iniciou as operações em áreas consideradas conflagradas pelas disputas entre facções do tráfico.


Ainda segundo a assessoria de imprensa da BM, já na noite de segunda-feira os policiais foram deslocados para as regiões determinadas, onde realizaram um trabalho de reconhecimento do território.

Especialista aponta: “A violência é maior quando o Estado é mais fraco”

Para o professor da Ulbra Alceu Streher Escobar, que é Sociólogo e especialista em Criminologia, a violência na cidade está diretamente ligada a ausência do Estado. “Mas não no sentido repressor e sim na falta de inserção social”, explica.


De acordo com Escobar, a falta de perspectiva, de empregos, acaba fortalecendo o tráfico como uma alternativa para os jovens. “Quando o Estado não oferece políticas públicas, o crime exerce esta função. Toda vez que se isola um grupo, sem a presença do Estado, como nas periferias, as pessoas precisam se relacionar, é preciso polícia, quando não tem, o tráfico é quem faz”.


O especialista defende o reforço policial e destaca que só o Estado, deve ter o monopólio da força, por meio da polícia, que na cidade, sofre com a falta de efetivo. No entanto, ele entende que só o aumento de Brigadianos nas rondas ostensivas e de policiais civis nas investigações não será suficiente para contar o avanço da criminalidade.“O crime se move. Se existe policiamento na cidade, ele se desloca para a periferia.”


O professor também chama a atenção para a crueldade das execuções, como os dois rapazes que foram filmados cavando a própria cova. Ele acredita que a idade dos criminosos também contribui para que as ações sejam mais violentas. “Hoje as pessoas chagam ao tráfico cada vez mais jovens, com 12, 13 anos. O que aumenta a agressividade. Na adolescência, as pessoas são mais violentas,” analisa.


Pessimista, Escobar acredita que a situação não deve melhorar em um período próximo. “Do jeito em que está o país, a falta de estrutura, infelizmente, acredito que a violência vai aumentar. Gostaria de parecer mais otimista, mas não tem como”, lamentou.


Ele também teme a radicalização das opiniões neste cenário. “É só ver as redes sociais, os discursos são muito radicais. A democracia não consegue suportar”, analisou.


Como exemplo, o professor cita os discursos em defesa da liberação das armas. “Vai ser um tiroteio de bala perdida. Se alguém está armado, é porque tem medo e quem tem medo, atira. Mas para acerta alguém a 10 metros, é preciso ser muito bom”, analisou o especialista.

Reforço da Brigada será por tempo indeterminado

O secretário municipal de Segurança Pública, Flávio Lopes, informou o reforço no policiamento da cidade não tem prazo para terminar. “O secretário estadual (Cezar Schirmer) entendeu a nossa situação e atendeu às nossas solicitações. Prontamente orientou o comando da Brigada Militar a deslocar o efetivo para a Operação Avante, por tempo indeterminado e também pediu o reforço para a Polícia Civil”, relatou.


Ele ainda informou que a Guarda Municipal permanecerá fazendo o policiamento comunitário, nos locais onde já realiza o trabalho hoje. “A Segurança Pública é prerrogativa do Estado, mas o município também age de forma colaborativa. Com a Guarda nestas regiões, a Brigada Militar poderá se liberar para atuar nas áreas em que as disputas do tráfico já foram identificadas”, explicou.



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